Bichinho das Viagens
Relatos e pensamentos de quem foi mordido pelo "bichinho das viagens".
Segunda-feira, 21 de Maio de 2012
Concordo plenamente. Não há dinheiro mais bem gasto do que a viajar. Aliás, ando em pulgas para gastar umas massas a partir de Outubro e ver se ainda este ano vou a um destes destinos:
Florianópolis- Tenho família no Rio de Janeiro (estadia grátis) e assim numa só viagem revisitaria o Rio (a a cidade mais linda onde já estive e com um bom astral que é qualquer coisa) e ia ver as praias de Floripa e explorar as raízes açorianas da população. Mas o real está upa-upa (puxadote) e a brincadeira não ia ficar nada barata...
Goa e Kerala: Tenho vontade de conhecer os sítios por onde os descobridores portugueses andaram. E Goa, além de ter vários vestígios da passagem dos tugas, tem um custo de vida muito baixo e dá para combinar praia com passeios, coisa que adoro fazer.
Istambul: Ainda não conheço esta cidade por uma simples razão: os voos directos com saída de Lisboa chegam a Istambul de noite e regressam de manhã bem cedo, ou seja, são dois dias que vão para o galheiro. E eu sou muito poupadinha quando se trata de marcar dias de férias.... Se as opções de cima não forem viáveis, é desta que vou a Istambul. O TPC já está feito há muito tempo.
Terça-feira, 15 de Maio de 2012
E se pudessemos escolher quem viaja ao nosso lado no avião?
Soube recentemente que a KLM começou a disponibilizra um serviço que permite a quem faz uma reserva escolher ao lado de quem é que se vai sentar no avião. Como é que isto se processa? Simples, através da partilha de perfis de facebook e do linkedin numa área do site. O serviço chama-se "Meet & Seat". Estive a ler sobre ele e, ok, só são partilhados dados de quem fez um pré-registo online. Acho a ideia engraçada do ponto de vista dos negócios. Pode aproximar desconhecidos que vão ao mesmo evento no estrangeiro, por exemplo. De início, antes de ler o site, confesso que fiquei intrigada. Será que havia invasão de privacidade? Qualquer pessoa poderia ficar a par de quem vai viajar no avião ao seu lado? Mas é claro que não é bem assim. E bem vistas as coisas, se temos de gramar com alguém durante horas a fio sentado a nosso lado num voo de longo curso, que seja alguém potencialmente interessante. Deixa de haver efeito surpresa, lá está. Eu que adoro um bom imprevisto, recordo-me como se fosse ontem de alguns passageiros que viajaram ao meu lado ou bem perto de mim. Não resisto a partilhar o meu Top 4 de acompanhantes surpresa:
- Em 1º lugar, está... o pequeno Saúl! Sim, o miudito com cara de reguila que cantava "O bacalhau que alho"... Foi na primeira vez que fui a Nova Iorque, na viagem de regresso. Estava ele no auge do sucesso e lá ia todo cheio de si, e com um à vontade descomunal, a dar autógrafos e a falar em alto e bom som, contando como tinham sido os seus concertos para os emigras. Parecia um homenzinho a falar com os adultos. Na altura, facturava bem e ainda não andava ao estalo com os pais...
- Em 2º lugar foi o regresso de Roma à conversa durante quase toda a viagem com um cardeal famoso que era uma curte!!! Simpático, brincalhão, contava anedotas e parecia ser tudo menos cardeal. Até me disse a mim e ao M. que da próxima vez qaue fossemos a Roma lhe podiamos ligar que nos arranjava uns quartos catitas e baratuchos no Vaticano. Lindo.
- Em 3º lugar, foi viajar com o Paulo Cardoso na cadeira à frente da minha. Paulo Cardoso, para quem não sabe, é um dos astrólogos mais famosos de Portugal. Foi um alívio ver o senhor à minha frente porque, pelo mesno daquela vez, soube logo antes do avião levantar que iria corer tudo bem. Só o facto dele estar ali, já era uma boa sina.
- Em 4º lugar, fez agora um ano, foi novamente no regresso de Nova Iorque apanhar um tuga de Trás-so-Montes que era porteiro num edifício de luxo em Manhatan, junto ao Central Park, e que se enbesanou todo (e não pagou um tusto, tinha uma lata descomunal) e desbobinou as tricas todas do prédio! Como é que esmifrava as gorjetas aos ricaços, como é que algumas mulheres chifravam os maridos quando estes viajavam, com a cumplicidade dele, enfim, foi animadíssmo! O M. chorava a rir e eu só pensava no livro lindo que aquelas histórias todas davam...
Enfim, para mim, das melhores coisas que a vida tem é deixarmos o destino nas mãos do acaso e sermos surpreendidos pelo que a vida nos reserva. Sem pré-marcações.
Quarta-feira, 9 de Maio de 2012
Overdose no Congresso das Sopas em Tomar
| Esta foi a XIX edição do Congresso das Sopas. Para o ano deve haver grande festa. |
No fim de semana passado cumpri um desejo antigo. Há que séculos que andava a dizer de mim para mim que um dia tinha de ir ao Congresso das Sopas em Tomar. Mas sempre que ouvia falar do evento, já tinha decorrido. No ano passado fixei a altura do ano em que seria o próximo e apontei na agenda. É sempre em inícios de Maio. E foi desta que fui enfardar (desculpem, mas é mesmo termo certo...) sopas atrás de sopas, num autêntico festim líquido que nessa tarde me faria parar de meia em meia hora (quase) em casas de banho da região... Foi muita sopa para duas horas de Congresso (adoro o nome do festim). E mais seriam se tivesse chegado a horas mais decentes. Já passava das duas da tarde e alguns panelões já estavam vazios. Mas eram tantos os estaminés que ainda assim tinhamos muito por onde escolher. E eu, que sou uma sopeira de primeira (adoooooro sopa e é das coisas que melhor cozinho) tratei primeiro de fazer um tour de reconhecimento das barraquinhas todas para ser selectiva nas minhas escolhas. Brincas...
Não ia a Tomar há imenso tempo. Tinha uma ideia de algumas ruas, porque tenho excelente memória visual. Por isso, o Congresso foi um excelente pretexto para cirandar enquanto digeria umas oito ou nove variedades de sopa: sopa da pedra, sopa de couves doidas, sopa secreta, sopa de peixe (várias). Paguei 8 euros que me deram direito a um kit de congressista que fica para nós: taça, colher, copo e guardanapo. Depois, foi sorver daqui e de acolá entre cerca de 30 barraquinhas que representavam os restaurantes da região. A ideia é gira e quase todos nos ofereciam cartões com desconto. A água o pão, o vinho e o café também são grátis, tudo oferecido por marcas presentes no local, como a Vitalis e a Delta. Também oferecem pão e vinho. Ou seja, parece-me um preço justo, embora tivesse umas sugestões para melhorar a coisa: mais bancos corridos e música ao vivo. Mas aí, upa upa. o preço talvez fosse outro.
| Achei esta ideia curiosa. Primeiro, reparamos nas enguias, tão quiduchas, dentro do aquário. Depois, podemos... trincá-las na sopinha.... |
O cenário é agradável, o Congresso decorre no mouchão (uma ilhota), em pleno centro de Tomar, numa zona verde por onde o rio serpenteia. Ou seja, se soubessemos (eramos 5) comos nos iamos todos sentir depois do empanturranço, tinha levado uma mantinha para o esparramanço total no esplendor da relva. Isso é que era....
Quinta-feira, 3 de Maio de 2012
Hotel Evidência Santa Catarina
Ora aqui está uma ideia simples para dar nas vistas. Trata-se da fachada do Hotel Evidência Light Santa Catarina, uma unidade low cost junto ao miradouro do Adamastor, no bairro de Santa Catarina (Lisboa). Quem passava nesta rua não resistia a tirar uma foto ao edifício, fosse com máquina fotográfica ou com o telemóvel. É uma forma engraçada e low cost de espalhar a palavra.
Quinta-feira, 19 de Abril de 2012
Caminhada até à praia da Ursa
| Escócia? Irlanda? Não, é mesmo o Cabo da Roca. |
Descobri há pouco tempo o prazer de fazer caminhadas. Sempre gostei de andar a pé. Se estiver distraída, a ver uma cidade ou à conversa, sou capaz de andar horas fio a bom passo. E se não fossem as minhas crias, com quem faço de questão de viajar bastante, faria muitas mais caminhadas. Mas neste caso, o passeio foi feito num dia de semana, em gesto de despedida a vários meses a trabalhar como freelancer. Alguns dias depois deste passeio, iria voltar aos horários destrambelhados da área em que trabalho.... O passeio durou cerca de três horas e foi feito a convite do meu professor de Yoga que costuma organizar passeios, alguns deles misturados com paragens para exercícios. Desta vez, não foi o caso. O objectivo era mostrar-me uma praia que já tinha visto em várias revistas,a Praia da Ursa. Uma praia lindíssima mas com um acesso tramado, impróprio para cardíacos....
Existem dois caminhos que vão dar à praia. Eu desci pelo mais difícil. A dificuldade era tal, que eu exigi, literalmente, ao J. que fosse à minha frente para, no caso de tropeçar, cair em cima dele. Dei por mim várias vezes a pensar "Onde é que o helicóptero que me vem buscar poderá parar?". Chegar lá abaixo foi um alívio e um deleite para a vista. E, felizmente, o caminho de regresso era bem mais fácil. Não é aconselhável para idosos nem para crianças, mas faz-se razoavelmente bem. Como será esta praia em pleno mês de Agosto? Tenho de lá ir para ver.
| Do lado direito, encostado às rochas, estava um homem em pelota a fazer meditação. Às tantas levantou-se, fez o pino e foi de mãos no chão até a água com o "badalo" a balançar.... |
| Lá em baixo, reinava uma paz absoluta. |
| Foi por este caminho de pedras que regressei lá acima. |
Terça-feira, 17 de Abril de 2012
O adeus à Ilha do Príncipe
| Praia Burra, coladinha à praia Caju e já bem perto da praia Banana |
| Ao fundo, um monte conhecido por "boné do jokey". |
| Uma espécie de papagaio típica da ilha do Príncipe. Este estava domesticado. |
| Sacerdote a treinar um discurso aos altos berros, na praia Évora, a praia onde os habitantes da ilha celebram o fim de ano. |
| E a passarola que nos levou de volta. ao contrário dos presságios de toda (!) a gente, apareceu a horas. Uff... |
No dia de regressar a São Tomé, véspera de regressar a Portugal, levantámo-nos bem cedo, como de costume. Tomámos o pequeno-almoço na Juditinha, fomos à Praia Banana e depois almoçamos bem perto do aeroporto, no restaurante da Mingas (Domingas), uma mulher com uns cinquenta anos mas que parecia ter uns trinta e poucos. Conversámos algumas vezes com ela. Era uma simpatia, sempre muito prestável, e tinha uma história de vida muito triste, ao ponto de me deixar com o coração apertadinho e a lágrima no canto do olho. Não nos conseguimos despedir dela, mas fomos, por sugestão dela, almoçar a um dos seus estabelecimentos (tem dois) e serviram-nos com uns cuidados comoventes. E eu que andava a evitar saladas, comi a salada toda que me puseram no prato. Que se lixe, se ficasse doente, já estava a um dia de voltar para casa. Pagámos o almoço aos guias mais ao irmão gémeo de um deles, que se colou a nós assim que pôde, e a conta foram 16 euros, para 5 pessoas. O Isaías, o Sandino e o irmão ficaram connosco até o avião partir, às duas da tarde. E uma vez mais, repetiram "Se tiverem amigos que venham ao Príncípe passar férias, falem-lhes de nós. Podemos levá-los a passear". E é o que estou a fazer neste blog, na esperança de que alguém aproveite a dica. Passadas 3 semanas de regressar desta viagem, na noite de Natal, estavam a enviar-nos, a mim e à C., sms's de boas festas e de bom ano. Foram, seguramente, as mensagens que mais nos tocaram na noite de 25 de Dezembro.
Domingo, 15 de Abril de 2012
Ilha do Príncipe: Sózinha na praia Macaco.
| Os bungalows da praia Macaco |
| Água morna q.b., totalmente transparente. |
Enquanto passeávamos com os nosso guias, falaram-nos deste local, a Praia Macaco, como sendo uma das praias mais bonitas da ilha do Príncipe, juntamente com a praia Burra e a praia Banana. Pedimos para nos levarem até lá e avisaram que o caminho por estrada estava impedido com troncos de árvores caídas. Tínhamos de andar uns 15 minutos a pé. Na boa,, b'ora lá. Quando chegámos perto do mar, encontrámos um resort fantasma, uma coisa estranhíssima de se ver. Imaginem um resort de luxo, com bungalows, piscina, restaurante, mas completamente às moscas, junto a uma praia de cortar a respiração. Mete dó. Há dois anos atrás, estava tudo pronto para inaugurar. Tudo mesmo. Mas os sócios entraram em conflito e o resort está-se a degradar e não tarda é engolido pela vegetação. A praia é fabulosa, como se pode ver, e foi aqui que tomámos o nosso primeiro banho de mar nesta ilha. Foi a meio do dia, estava calor e a caminhada ainda nos deixou mais encaloradas. Assim que mergulhámos e nos sentimos refrescadas, olhámos uma para a outra e, numa só voz, deixámos escapar um prolongado " Aaaaaaaaaahhhh!". E depois veio a gargalhada da praxe, seguida de alguns minutos de puro êxtase e de contemplação. Não sei ao certo no que pensava a C. durante este silêncio, mas não devia ser muito diferente do que o pensamento que me ocorreu naquele momento: Sentirmo-nos vivos pode ser uma coisa absolutamente maravilhosa!
Terça-feira, 10 de Abril de 2012
Ilha do Príncipe: Visita à Roça Sundy
| Esta era a casa do "CEO" da roça. Agora tem quartos para alugar a turistas mas o sul-africano que comprou po Resort Bom Bom também vai investir nesta roça. |
| O antigo depósito de água da roça |
A visita à Roça Sundy foi inesquecíivel! Além de ser a roça que eu mais queria ver na ilha do Príncipe, (foi a maior de todas as roças da ilha) proporcionou-me um verdadeiro banquete de mosquitos que deu azo a uma sessão de gargalhadas memorável! Pouco depois de sairmos do Jeep, reparámos que a atmosfera estava repleta de mosquitinhos, bem pecanitos, mas aos milhares! Sabem como é quando reparamos que existe uma núvem de mosquitos no ar? Foi o que aconteceu. Vimos uma núvem e tentámos afastar-nos mais para o lado. Mas havia outra. E mais outra. E ainda outra. Ou seja, a roça inteira era uma núvem pegada de mosquitos que nos entravam pela boca adentro e pelas narinas! E se tentávamos falar, sentíamos logo o "scrunch" de estar a mastigar uns quantos insectos... Besuntámos-nos logo de repelente, apesar dos locais nos garantirem que estes mosquitinhos não picavam. Mas, pelo sim, pelo sim... nao quisemos arriscar.
Domingo, 8 de Abril de 2012
Ilha do Príncipe: De queixo caído ao ver a Praia Banana!
Logo no primeiro dia na Ilha do Príncipe, fomos a casa do pai do Sandino para a C. lhe mostrar as fotos do pai dela. Ele lembrava-se perfeitamente do senhor e daqueles tempos longínquos. Estiveram ali os dois um bom bocado à conversa. E depois, antes de nos levarem de volta ao nosso "hotel", foram mostrar-nos a Roça Belo Monte e o seu miradouro. E é esta a vista que se tem do miradouro da roça, a Praia Banana em todo o seu esplendor . Esta praia é, juntamente com a Praia Boi e a Praia Macaco, uma das mais bonitas da ilha. Para mim, foi mesmo a mais bonita não só da ilha do Príncipe como de todas as praias onde já estive até hoje. E já fui a umas quantas praias de babar no Brasil, na Córsega, na Sardenha, no México, na Malásia, na Grécia, na Sicília ...mas esta....esta tem o encanto das coisas autênticas e selvagens. E estava assim, vazia, sem vivalma. Adivinhem qual foi a última coisa que fiz antes de me vir embora? Foi dar uns mergulhos nesta praia, poucas horas antes de regressar a São Tomé. É que morria se não fosse à praia Banana depois de a ter contemplado do miradouro. Seria como mostrar um doce a uma criança e depois não lho dar. Mas umas horas antes de ir para o aeroporto, disse à C. que não nos podíamos vir embora sem meter os pezinhos naquela água turquesa. Ligámos aos nossos guias e 15 minutos depois apareceram nas suas motos e levaram-nos à praia. E assim risquei da lista aquilo que me apetecia mais fazer. Been there, done that. E esta já ninguém me tira.
| A entrada da Roça Belo Monte |
A Roça Belo Monte tem um potencial turístico desgraçado. Parte da população que nela vivia já foi realojada em casas e dentro de dois anos tudo deverá estar bastante diferente, conforme se pode ler neste artigo da Telanon.Mas já é possível ficar aqui alojado, alugam-se quartos. Fui ver um e era bastante simples. Lá está, para aqui ficar, é obrigatório ter um jeep ou contratar um guia que nos venha buscar e trazer. A grande vantagem é a beleza natural do local e o facto de ter a praia Banana a uma curta caminhada a pé num trilho para aventureiros. Eu fui lá a pé, passando da praia Caju para a Praia Banana.
| O edifício da escola da roça |
| Outra perspectiva da praia Banana |
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